A criança que morre sem Jesus esta salva?

15 de dezembro de 2013

A criança que morre sem Jesus esta salva?


     “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”; (Rm 3.23). 

     As crianças de pais cristãos já estão salvas? As crianças de pais ímpios serão salvas? Ao analisarmos este assunto, devemos entender três fatores importantíssimos desta questão. (1ª) A criança não tem condições de arrependimento. (2ª) A criança não pode ser batizada enquanto não entender o que é o batismo. (3ª) A criança está livre de qualquer responsabilidade. Se nós afirmarmos que essa condenação abrange também as crianças dos ímpios, pois que estão incluídas em “todos”. Estaremos condenando as crianças dos próprios cristãos, porque elas estão igualmente incluídas neste contexto. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Se admitirmos que as crianças de ímpios estão condenadas, então temos de considerar que agem acertadamente as igrejas que batizam crianças, visando as prepará-las para a Eternidade. O catecismo da Igreja Católica é específico: “Os pais e as mães que, por negligência, deixam seus filhos sem o batismo, pecam gravemente, porque privam essas crianças da felicidade eterna”. Mas nós os Evangélicos não cremos que o batismo de crianças seja bíblico, nem mesmo que o próprio batismo em si, seja um meio de salvação. O batismo é a declaração pública de que a pessoa morreu para o mundo e nasceu para Deus. Portanto o batismo não garante a salvação. A salvação estende-se a todos os homens (genericamente) que aceitam o sacrifício de Cristo. Os que ainda não têm o entendimento para aceitar a salvação estão nela incluídos? 

      Se nasceram debaixo da maldição, semelhantemente, precisam aceitar a Cristo para obterem a salvação, que é designada para remover a maldição. Porém as crianças permanecem ao abrigo da salvação até atingirem a idade suficiente para repudiá-la ou aceitá-la. A salvação estende-se a todos os homens e opera sobre todos os homens que aceitam a Cristo e que principalmente creem Nele. As crianças que nascem debaixo da maldição do pecado ESTÃO AUTOMATICAMENTE SALVAS, e isso tem valor até que elas possam aceitar ou rejeitar a salvação. Somente por uma predestinação injusta poderiam as crianças serem condenadas pelo simples fato de nascerem de pais ímpios. É incorreto afirmar que o Reino de Deus é somente para as crianças que aceitam a Jesus como salvador. Como podemos admitir que crianças inocentes e irresponsáveis pudessem ter esta decisão, sendo que elas ainda não possuem a responsabilidade do direito de opção. Alguém poderia indagar?  E aquelas crianças que aparecerão diante do trono de Deus? “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros”; (Ap 20.12). Como pode ser isso? A palavra que aparece nesse texto como “pequenos” não se trata da expressão grega “teknos” ou “phaidion”, que significa criança ou menino. Mas “mikros”, que significa pequeno no sentido de posição. Isto é, serão julgados tanto os grandes (os reis ou príncipes) como os pequenos (os pobres, servos). “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras”; (Ap 20.13). Está escrito que cada um foi julgado segundo as suas obras. Onde estão as obras de uma criança? Podem elas serem justificadas por suas obras? A Bíblia afirma que a criança, embora pecadora por origem, não tem cometido pecado, pela inocência. 

     Outra coisa: Porque o apóstolo Paulo mencionou sobre os “filhos imundos” e os “filhos santos”? “Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada pelo marido. Doutra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos”; (1 Co 7.12-14). O que o apóstolo Paulo asseverou sobre este assunto, nada tem a ver com a salvação em si, ou com o castigo eterno da criança, mas simplesmente com a limpeza cerimonial dos cônjuges. Em concordarem em viver sob disciplina cristã, fora das contaminações de prostituições idolátricas. Assim, ao nascerem, os filhos seriam limpos ou santos “ágios” (hb); separados de atos profanos, puros socialmente, castos. Uma pessoa cristã casado com ímpio vivendo em santidade, seus filhos seriam isentos da impureza das prostituições religiosas, muito comuns naqueles dias. “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo e fá-los-ei membros de uma meretriz? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito. Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”; (1 Co 6.15-20).

     Também foi neste sentido que o apóstolo Paulo ensinou que os cônjuges ímpios seriam santificados pelos cristãos. Logo, as crianças, ao morrerem sem os pais se converterem, estão debaixo da obra redentora do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. As crianças que vivem sob um lar ímpio, estão sob a proteção da obra redentora até o tempo de saberem escolher entre o bem e o mal (o fim da idade da inocência, a queda dos dentes de leite) e terem a faculdade exercitada pela razão para crerem e serem salvas pela graça de Deus.“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”; (Tt 2.11). Diante disto, fica bem claro que o pecado original das crianças em idade de não compreensão, não é levado em consideração por Deus. Pois elas estão incluídas na redenção pelo eterno plano divino, lavado pelo precioso sangue de Cristo. Considerações importantes: (1ª) O cônjuge ímpio não será salvo pelo fato do seu cônjuge ser cristão. (2ª) As crianças (na idade da razão) dos cristãos não estão salvas por causa da condição de santificação de seus pais. Nem de serem condenadas por terem pais ímpios. (3ª) Uma criança não tem ainda a capacidade de crença da forma que um adulto tem. (4ª) Uma criança não pode ser convencida de pecado, porque não tem entendimento do que é o pecado. Portanto ela é diante de Deus, irresponsável. (5ª) As crianças não podem ser julgadas, porque jamais se aperceberam de quaisquer leis. A única lei que predomina sobre elas é a da inocência. Elas ignoram tudo e Deus não leva em consideração o tempo da inocência. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam”; (At 17.30). 

     Ou seja, a pessoa saiu da ignorância, ela recebeu a palavra e se arrependeu. Agora ela sabe o que é certo e o que é errado. Deus não leva em conta ao tempo em que ela não sabia! Porque arrependendo-se ela se torna isenta de pecados. Todas as crianças. De justos ou dos ímpios que não conheceram o mandamento e não foi revivido o pecado sobre elas. Pela misericórdia e graça de Deus estão automaticamente salvas. “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência; porquanto, sem a lei, estava morto o pecado. E eu, nalgum tempo, vivia sem  lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele me matou. Assim, a lei é santa; e o mandamento santo, justo e bom.  Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. De maneira que, agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim”; (Rm 7.7-14). Em algum tempo o homem vivia sem lei (tempo da pureza, inocência e infância). Mas o homem cresce e passa a ter a consciência e a razão, passa a entender que existe um mandamento a ser aceito em obediência. 

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.