O que é o adultério espiritual?

15 de outubro de 2014

O que é o adultério espiritual?


      “Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for doutro marido; mas, morto o marido (o velho homem, nascido da carne), livre está da lei (pecado), e assim não será adúltera, se for doutro marido (o novo homem, nascido do espírito). Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei (pecado) pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro (Cristo), daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto (singular, e não frutos no plural) para Deus. Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte (ou seja, para o pecado)”; (Rm 7.2-5).
         
     O FRUTO DO ESPÍRITO: (não são frutos; é um só fruto). Exemplo um cacho com 9 uvas. “Mas o fruto do Espírito é: (1º) caridade, (2º) gozo, (3º) paz, (4º) longanimidade, (5º) benignidade, (6º) bondade, (7º) fé, (8º) mansidão, (9º) temperança. Contra estas coisas não há lei (ou seja, se praticá-las, não tem como ocorrer o erro, o pecado)”; (Gl 5.22,23). O apóstolo Paulo utiliza da alegoria de um casamento, para explicar a questão do pecado.  O que é uma alegoria? É utilizar alguma coisa como prática, para explicar algo diferente do sentido literal. O homem em sua composição integral é composto de três partes (espírito, alma e corpo). Sendo que duas partes dessa tricotomia são de substâncias espirituais (o espírito e a alma) e uma parte de substância física orgânica (o corpo). 


Dentro deste cenário, o homem possui dois centros de vontades atuantes. O CORAÇÃO – É o centro da vontade espiritual, ele atua em 1/3 do homem. Esta entre o espírito humano e a carne (alma + corpo= carne).  MENTE – É o centro da vontade física, a mente atua em 2/3 do homem. A mente tem um poder enorme atuando diretamente na carne. A carne é a união da alma e o corpo, centralizada na mente, atuando totalmente independente do espírito humano. “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”; (1 Ts 5.23). Uma mulher (a alma) esta entre dois maridos (o espírito e o corpo). A alma quer ter uma vida dúbia (adultério), com o corpo (formando a carne) e enganando o espírito. Observamos essa tipologia na questão entre Abrão (uma representação do tipo da alma), Sarai (uma representação do tipo do espírito) e Agar (uma representação do tipo do corpo). “Ora, Sarai (o espírito estava estéril), mulher de Abrão (alma), não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar (corpo). E disse Sarai (espírito) a Abrão (alma): Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos (corpo) dela. E ouviu Abrão (alma) a voz de Sarai (espírito). Assim, tomou Sarai (espírito), mulher de Abrão (alma), a Agar (corpo), egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão (alma), seu marido, ao fim de dez anos que Abrão (alma) habitara na terra de Canaã. E ele (alma) entrou a Agar (corpo), e ela concebeu; (pecar é muito fácil) e, vendo ela que concebera (nascimento da carne, Ismael), foi sua senhora (espírito) desprezada aos seus olhos”; (Gn 16.1-4). 

     Quando a pessoa nasce de novo, ocorre o fim desse adultério entre a alma e o corpo. Ocorre então a reconciliação da alma com o espírito. “Dizei-me, vós, os que quereis estar debaixo da lei: não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria (por isso Paulo utilizou a questão do casamento, para explicar o adultério espiritual); porque estes são os dois concertos: um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós; porque está escrito: Alegra-te, estéril, que não dás à luz; Esforça-te e clama, tu que não estás de parto; porque os filhos da solitária são mais do que os da que tem marido. Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa, como Isaque. Mas, como, então, aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também agora (ou seja, ainda ocorre diariamente a luta entre a carne e o espírito). Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre. De maneira que, irmãos, somos filhos, não da escrava, mas da livre (Nós podemos vencer a carne através do Espírito)”; (Gl 4.21-31). O problema é que do adultério entre a alma e o corpo (carne) nasceram 16 filhos. E após a separação da alma com o corpo, esses meninos que são as obras dessa união ficam conosco. Eles permanecem em nós. Como fazer para livrarmos desses meninos os quais são os frutos da carne? “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: (1ª) prostituição(2ª) impureza, (3ª) lascívia, (4ª) idolatria, (5ª) feitiçaria, (6ª) inimizades, (7ª) porfias, (8ª) emulações, (9ª) iras, (10ª) pelejas, (11ª) dissensões, (12ª) heresias, (13ª) invejas, (14ª) homicídios, (15ª) bebedices, (16ª) glutonarias (os filhos legítimos, registrados) e coisas semelhantes a estas, (tem ainda os filhos ilegítimos, os que não são registrados. Eles não receberão nem nomes próprios) acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus”; (Gl 5.19-21).
  
     O filho da carne É 14 anos mais velho, que o filho do espírito. Abraão tinha 99 anos e Ismael tinha 13 anos. “E era Abraão da idade de noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. E Ismael, seu filho, era da idade de treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio”; (Gn 17.24,25). Isaque nasceu quando Abraão tinha 100 anos, portanto Ismael tinha 14 anos. “E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu Isaque seu filho”; (Gn 21.5). O fruto da carne (o velho homem) é 14 anos mais velho que o filho do espírito (o novo nascimento) por isso, o velho homem quer ressuscitar-se a cada estante. Ele estará sempre zombando, rindo, tentando humilhar o novo homem, o nascido do espírito. Pegue a sua idade de vida e retire o tempo que você serve a Cristo, e o tempo que sobra você servia a quem? Ao mundo. Através do velho homem. Acredito que você entende muito bem como é essa luta! “E cresceu o menino e foi desmamado; então, Abraão fez um grande banquete no dia em que Isaque foi desmamado. E viu Sara que o filho de Agar, a egípcia, que esta tinha dado a Abraão, zombava. E disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com meu filho, com Isaque”; (Gn 21.8-10). O novo nascimento ocorre em nosso espírito humano“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”; (Rm 8.16). Uma pessoa que não nasce do Espírito Santo, não compreende as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”; (1 Co 2.14). Quais são os dons espirituais? “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil. Porque a um, pelo Espírito, é dada (1º) a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo espírito, (2º) a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, (3º) a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, (4º) os dons de curar; e a outro, (5º) a operação de maravilhas; e a outro, (6º) a profecia; e a outro, (7º) o dom de discernir os espíritos; e a outro, (8º) a variedade de línguas; e a outro, (9º) a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”; (1 Co 12.7-11). 

     Ocorre, acontece então a luta entre a carne e a alma (que é uma prova real que o Espírito Santo esta trabalhando na vida da pessoa que aceita a Cristo). “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis”; (Gl 5.17). Os atributos do espírito são o amor,  a e a esperança. Os atributos da alma são o intelecto, a vontade e o sentimento.  Os atributos do corpo são os 5 sentidos (audição, tato, visão, paladar e olfato). Os instintos nascem na carne, a qual é a união entre a alma e o corpo. O sentimento na alma é chamado de paixão. Mas, no espírito ele é chamado de amor. O intelecto diz: “Eu não entendo nada”. A fé responde: “Em mim, você entende tudo”. O sentimento se apaixona, a paixão um dia tem fim. Mas o amor, tudo suporta, tudo sofre. E a vontade briga com a esperança. A vontade quer desistir, mas a esperança tudo espera. Ela diz para a vontade: “Calma, vamos esperar mais um pouco”. “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior (alma + corpo = carne, controlados pela mente) se corrompa, o interior (alma + espírito, controlados pelo coração, circuncidado pela palavra), contudo, se renova de dia em dia”; (2 Co 4.16).  “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado”; (Rm 6.1-6). O coração daqueles que verdadeiramente conhecem a Deus, tem a Palavra. “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti”; (Sl 119.11). O coração tem dentro dele a Palavra, a Palavra depois de analisar, enviará uma resposta aos instintos, e aos sentidos, seja pela fé ou pela razão. E com certeza a decisão tomada agradará ao coração, a mente, ao espírito, a alma e principalmente ao sentidos e instintos do corpo. Agradará ao homem interior, e também ao homem exterior. E o principal: Agradará a Deus!

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.