O que era o Dia da Expiação?

15 de setembro de 2016

O que era o Dia da Expiação?



   
     “E Arão fará chegar o novilho da oferta pela expiação, que será para ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e degolará o novilho da oferta pela expiação, que é para ele. Tomará também o incensário cheio de brasas de fogo do altar, de diante do Senhor, e os seus punhos cheios de incenso aromático moído, e o meterá dentro do véu. E porá o incenso sobre o fogo, perante o Senhor, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra. E tomará do sangue do novilho e, com o seu dedo, espargirá sobre a face do propiciatório, para a banda do oriente; e perante o propiciatório espargirá sete vezes do sangue com o seu dedo”; (Lv 16.11-14). 

     O Dia da Expiação, somente neste dia do ano o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, ultrapassando o véu e durante a sua adoração oferecia um sacrifício de sangue. Primeiro o sumo sacerdote, vestido com toda a sua vestimenta sagrada, oferecia um novilho como oferta de expiação de seu próprio pecado e de sua casa (representando a sua família). E depois o sumo sacerdote oferecia um bode como sacrifício pelo povo, representando todos os pecados cometidos pelo povo de Israel.
     
      “Depois, degolará o bode da oferta pela expiação, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o espargirá sobre o propiciatório e perante a face do propiciatório. Assim, fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, segundo todos os seus pecados; e, assim, fará para a tenda da congregação, que mora com eles no meio das suas imundícias. E nenhum homem estará na tenda da congregação, quando ele entrar a fazer propiciação no santuário, até que ele saia; assim, fará expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel. Então, sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação por ele; e tomará do sangue do novilho e do sangue do bode e o porá sobre as pontas do altar ao redor. E daquele sangue espargirá sobre ele com o seu dedo sete vezes, e o purificará das imundícias dos filhos de Israel, e o santificará”; (Lv 16.15-19). O aspecto principal de todo o sistema sacrificial era o derramamento de sangue de um animal sem mancha (sem defeito, sem jugo), para uma substituição sacrificial pelo pecado do ofertante.“Porque a alma (vida) da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma”; (Lv 17.11). Vo-lo tenho dado”; Foi Deus quem deu o sangue com esse propósito expiador. Dessa forma, entendemos que todo sacrifício que ocorreu no Antigo Testamento, foi instituído por Deus e não por homens. E o Novo Testamento reconhece essa verdade. O próprio Deus ofereceu o Seu Filho para que, através de Seu sangue, nós pudéssemos ser purificados. “Nisto se manifestou a caridade (o amor) de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está a caridade (o amor): não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”; (1 Jo 4.9,10). Como se iniciou a história do sacrifício? Porque Deus pediu para que o homem fizesse dessa forma, para haver perdão de seus pecados? Desde que ocorreu o primeiro pecado, assim também ocorreu o primeiro sacrifício. Num primeiro momento tudo isso se parece com um requisito dos ritos pagãos

     Mas podemos perceber com mais atenção, que existem grandes diferenças entre a ordem dos sacrifícios do Livro de Levítico e esses típicos ritos pagãos do mundo. As regras e regulamentos foram explicados claramente para que todos lessem. Na verdade, o povo de Israel tinha a obrigação de estudar os detalhes dos rituais dos sacrifícios. Até as crianças pequenas, adolescentes e jovens sabiam o significado do sacrifício que os sacerdotes realizavam para Deus. Isso é completamente diferente do culto secreto que dava poder à classe sacerdotal das outras nações. O sentido do sacrifício é espiritual (metafísico). A parte principal de um sacrifício não era o ato de abater um animal, o serviço sacrificial era, e é espiritual. Quando a pessoa trazia um sacrifício, sua concentração mental era crucial. Se sua mente não estivesse concentrada no significado correto e na intenção do sacrifício, tudo poderia ser considerado inútil. O motivo do sacrifício que era trazido para expiar algum pecado, a pessoa precisava ter em mente remorso pelo que ela fez, ela tinha que sentir arrependimento pelo que aconteceu. O ofertante se identifica com a oferta! “Se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá pelo seu pecado, que pecou, um novilho sem mancha, ao Senhor, por expiação do pecado. E trará o novilho à porta da tenda da congregação, perante o Senhor, e porá a sua mão sobre a cabeça do novilho, e degolará o novilho perante o Senhor”; (Lv 4.3,4). “Mas, se toda a congregação de Israel errar, e o negócio for oculto aos olhos da congregação, e se fizerem, contra alguns dos mandamentos do Senhor, aquilo que não se deve fazer, e forem culpados, e o pecado em que pecarem for notório, então, a congregação oferecerá um novilho, por expiação do pecado, e o trará diante da tenda da congregação. E os anciãos da congregação porão as suas mãos sobre a cabeça do novilho perante o Senhor; e degolar-se-á o novilho perante o Senhor”; (Lv 4.13-15). “E, se qualquer outra pessoa do povo da terra pecar por erro, fazendo contra algum dos mandamentos do Senhor aquilo que se não deve fazer e assim for culpada; ou se o seu pecado, no qual pecou, lhe for notificado, então, trará por sua oferta uma cabra fêmea sem mancha, pelo seu pecado que pecou. E porá a sua mão sobre a cabeça da oferta pela expiação do pecado e a degolará no lugar do holocausto”; (Lv 4.27-29). O ato de colocar a mão sobre a cabeça do animal, que era ofertado como sacrifício de expiação era um ato profético. Ao colocar as mãos sobre o animal, o ofertante estava identificando-se com a oferta e solenemente designando a vítima como estando em seu lugar.  Era o sangue que fazia a expiação, por ser ele o símbolo de vida. Dessa forma uma vida era sacrificada em favor de outra vida. De tal forma que a vida sacrificada levava o pecado sobre si, assumindo assim a culpa e a condenação do pecado do ofertante. Assim o pecador se tornava santo diante de Deus. Mas esse ato era repetitivo, ele não tinha o poder de redimir o pecador para sempre, havia a necessidade de se fazer sacrifícios e substituição pelos pecados continuamente. Como Deus poderia justificar ao homem de uma vez por todas? Que tipo de sacrifício substituiria o pecado de Adão para sempre? A resposta é Jesus Cristo!

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.