Quem é o vingador do sangue?

15 de julho de 2013

Quem é o vingador do sangue?


     “Falou mais o Senhor a Josué, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Apartai para vós as cidades de refúgio, de que vos falei pelo ministério de Moisés, para que fuja para ali o homicida que matar alguma pessoa por erro e não com intento; para que vos sejam refúgio do vingador do sangue. E, fugindo para alguma daquelas cidades, por-se-á à porta da cidade proporá as suas palavras perante aos ouvidos dos anciãos da tal cidade; então, tomarão consigo na cidade e lhe darão lugar, para que habite com eles. E, se o vingador do sangue o seguir, não entregarão na sua mão o homicida, porquanto não feriu a seu próximo com intento e o não aborrecia dantes. E habitará na mesma cidade, até que se ponha a juízo perante a congregação, até que morra o sumo sacerdote que houver naqueles dias; então, o homicida voltará e virá à sua cidade e à sua casa, à cidade de onde fugiu. Então, apartaram a Quedes, na Galiléia, na montanha de Naftali, e Siquém, na montanha de Efraim, e Quiriate-Arba (esta é Hebrom), na montanha de Judá. E, dalém do Jordão, de Jericó para o oriente, apartaram Bezer, no deserto, na campina da tribo de Rúben, e Ramote, em Gileade, da tribo de Gade; e  Golã, em Basã, da tribo de Manassés. Estas são as cidades que foram designadas para todos os filhos de Israel e para o estrangeiro que andasse entre eles, para que se acolhesse a elas todo aquele que ferisse alguma pessoa por erro, para que não morresse às mãos do vingador do sangue, até se pôr diante da congregação”; (Js 20.1-9).

     Antes de entrarmos diretamente no assunto. Vamos entender o contexto geral bíblico. A lei de Moisés (estabelecida por Deus) decretava que uma morte tinha que ser compensada por outra morte. No Antigo Testamento a lei era dente por dente, olho por olho. “Mas, se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe”; (Êx 21.23-25). “E certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; da mão de todo  animal o requererei, como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”; (Gn 9.5-6). A lei vigente e predominante em toda a região da Mesopotâmia que abrangia o território das  tribos, povos e nações do Oriente Médio daquela época era o Código de Hamurabi. E uma das cláusulas penais em caso de homicídio era a Lei de Talião “Lex Talis” em latim. Cujo o significado era “Lei Igual”.  Ou seja, a mesma questão do olho por olho, dente por dente. Enquanto a lei era cumprida de uma forma total pelos outros povos, tribos e nações. Deus deu a mesma lei para o Seu povo e para o estrangeiro que habitasse no meio de Israel. Porém com uma cláusula de absolvição. “Quem ferir alguém, que morra, ele também certamente morrerá; porém, se lhe não armou ciladas, mas Deus o fez encontrar nas suas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde ele fugirá”; (Êx 21.12,13). Deus criou um lugar de refúgio para onde o homicida culposo pudesse ficar, permanecer até provar a sua inocência. Essa era a chance de absolvição. AS CIDADES DE REFÚGIO FORAM ESTABELECIDAS POR DEUS; “Das cidades, pois, que dareis aos levitas, haverá seis cidades de refúgio, as quais dareis para que o homicida ali se acolha; e, além destas, lhes dareis quarenta e duas cidades. Todas as cidades que dareis aos levitas serão quarenta e oito cidades, juntamente com os seus arrabaldes”; (Nm 35.6,7). Na divisão das terras entre as 12 tribos. Os levitas (descendentes de Levi) não tiveram herança, não receberam posse de terra. Deus estabeleceu 48 cidades para eles morarem no meio das terras das outras tribos, 6 dessas cidades eram de refúgio.

     “Serão de refúgio estas seis cidades para os filhos de Israel, e para o estrangeiro, e para o que se hospedar no meio deles, para que ali se acolha aquele que ferir a alguma pessoa por erro”; (Nm 35.15). A perda de uma vida deveria ser pago com outra vida. Ou seja, poderia ser cobrado pelo Goel Hadam “Vingador do sangue”. O vingador do sangue era o parente mais próximo da vítima que ansiando por vingança buscava matar a quem por engano ou sem querer houvesse cometido o homicídio. Mas se o homicida culposo corre-se até uma dessas 6 cidades. O vingador não poderia matá-lo apartir da porta da cidade para dentro. O homicida tinha um tempo de fuga entre a cidade a onde ocorreu o homicídio até a cidade de refúgio. O homicída explicava aos anciãos a situação do seu envolvimento no homicídio culposo (sem intenção de matar, ser provocado em razão de imprudência, imperícia ou negligência). Há também o homicídio culposo impróprio o qual o autor do mesmo o comete com intenção de fazê-lo devido as circunstâncias que o envolviam, por exemplo, em legítima defesa. Na linguagem jurídica seria um Habeas Corpus, uma garantia de vida até o resultado do julgamento. Enquanto não fosse esclarecida a situação. O vingador do sangue não poderia vingar a morte do seu parente. Após o julgamento se a pessoa fosse considerada culpada de homicídio doloso (intenção de matar) ela era entregue nas mãos do vingador de sangue. O qual teria direito legal para fazer o que bem quisesse com o homicida. A LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA ERA ESTRATÉGICA; “E estas cidades vos serão por refúgio do vingador do sangue; para que o homicida não morra, até que esteja perante a congregação no juízo. E, das cidades que derdes, haverá seis cidades de refúgio para vós. Três destas cidades dareis daquém do Jordão, e três destas cidades dareis na terra de Canaã; cidades de refúgio serão”; (Nm 35.12-14). Ou seja, três cidades de um lado do Jordão e três cidades do outro lado do Jordão. Para que todo israelita e estrangeiro envolvidos em um homicídio tivessem acesso de fuga até essas cidades e não fosse alcançado pelo vingador se sangue.  Além disso havia placas de sinalização indicando a direção das cidades.

     PORQUANTO TEMPO O HOMICIDA PODERIA FICAR EM UMA CIDADE DE REFÚGIO? Não havia tempo determinado. Mesmo após a decisão da causa e recebendo a sentença de inocência. Mesmo assim o homicida tinha que aguardar a morte do sumo sacerdote da época. Durante o período de habitação na cidade de refúgio, o homicida adaptava-se ao estilo de vida da cidade (trabalho, regras etc). Quando o sumo sacerdote que julgará a sua causa morre-se o homicida poderia voltar para a sua cidade natal, para a sua família. “Pois deve ficar na cidade do seu refúgio, até à morte do sumo sacerdote; mas, depois da morte do sumo sacerdote, o homicida voltará à terra da sua possessão”; (Nm 35.28). Mesmo após a sua inocência, o homicida deixasse a cidade, antes do falecimento do sumo sacerdote, sua vida correria perigo e lhe seria de total responsabilidade. Quem é o nosso sumo sacerdote? Jesus Cristo. O vingador do sangue não pode mais nos tocar. Nós já fomos inocentados. AS CIDADES DE REFÚGIO – Representam Cristo. O HOMICIDA CULPOSO – Representa o pecador. O VINGADOR DO SANGUE – Representa Satanás. As cidades de refúgio representam a Jesus Cristo suprindo todas as necessidade do pecador. Assim como um homem poderia fugir em um momento de extrema necessidade, Jesus é um lugar de refúgio, Dele o profeta Isaías profetizou. “E será aquele varão como um esconderijo contra o vento, e como um refúgio contra a tempestade, e como ribeiros de águas em lugares secos, e como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta”; (Is 32.2). Dele o rei Davi fez um cântico em ação de graças. "Disse pois: O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador. Deus é o meu rochedo, e nele confiarei; o meu escudo, e a força de minha salvação, e o meu alto retiro, e o meu refúgio. O meu Salvador, de violência me salvaste”; (2 Sm 22.2,3).

     OS NOMES DAS SEIS CIDADES DE REFÚGIO; Os significados dos nomes com raiz etimológica em aramaico. Sendo que os estrangeiros que viviam no meio dos israelitas também tinham acesso de fuga para as cidades. O idioma aramaico era amplamente adotado pelos povos e tribos do Oriente Médio. Influenciando de certa forma os idiomas árabe, assírio, caldeu e hebraico. QUEDES – Santuário; Santificação. SIQUÉM  – Ombro; Amizade. HEBROM – Comunhão; Companhia. BEZER – Fortaleza; Segurança. RAMOTE – Exaltação; Altura. GOLÃ – Alegria; Libertação. Em Jesus Cristo nós temos acesso direto ao SANTUÁRIO Celestial. Recebemos a SANTIFICAÇÃO  pelo Seu sangue. Ele levou sobre Si, sobre o OMBRO a cruz que era nossa. Por causa Dele voltamos a ter plena AMIZADE e COMUNHÃO com o Pai. Ele não nós deixou só quando Ele voltou para o Pai, deixou-nos a COMPANHIA do Espírito Santo. Jesus Cristo é a nossa FORTALEZA, a nossa SEGURANÇA, nossa ALEGRIA, e a nossa LIBERTAÇÃO.  Nele estamos chegando a cada dia na ALTURA, na estatura de varão perfeito. A Ele, somente Ele prestamos e prestaremos EXALTAÇÃOEm uma só tipologia, Cristo esta representado como o Sumo Sacerdote e ao mesmo tempo também como a própria cidade de refúgio. Ele foi ao mesmo tempo o apresentador do sacrifício diante do Pai e também o próprio sacrifício.

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.