O que é Aporética?

15 de outubro de 2015

O que é Aporética?


      “O que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem pertubação”; (Pv 13.3). 

     Para entendermos o que é Aporética, temos que compreender o que é Aporia. Ao estudo das aporias designa-se de aporética. São os diálogos, debates com o assunto inclinado para as dúvidas, enfim a diálogos que giram em torno dos problemas e não nas soluções. Aristóteles definiu a Aporética como uma “igualdade de conclusões contraditórias”. Geralmente é comum identificar este tipo de diálogo quando falamos de relacionamento. Onde duas pessoas que possuem pensamentos distintos, necessidades diferentes tendem a compartilhar de uma só escolha, uma só opção. Um modelo muito exemplar para explicar o que é Aporética é o diálogo entre o relacionamento do homem e da mulher. Seja no namoro, em noivado e no casamento. E dependendo acontece até em uma amizade entre um irmão e uma irmã. “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”; (Mt 15.11). O que contamina o homem (genericamente: homem e mulher) não é a comida, o alimento  que alimenta o corpo e que é ingerido pela boca. O que contamina são as palavras que saem da alma contaminadas pelo que contém o coração, o qual utiliza a boca para expressar o que ele sente. O sentimento do coração é transmitido pela boca: “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca”; (Mt 12.34). Se o coração estiver cheio de coisas boas, a pessoa fala coisas boas. Se contém coisas más? 

     Bem, so vai sair besteiras. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida”; (Pv 4.23). Em todos os tipos de relacionamentos é comum entrar em alguma discussão. Ainda mais quando os motivos se referem à quase sempre questões pessoais que são ignoradas pela outra pessoa. A aporética se aplica ao ato de discutir uma questão procurando motivos para que se possa justificar o erro do outro. Mas sem ter o real objetivo de resolver a situação. Enfim é uma troca de lixo de palavras e sentimentos, sem a chance de se pensar em realizar uma verdadeira limpeza. Causando assim o prolongamento desnecessário das intrigas e divergências sem a intenção de realmente resolvê-las. Para piorar ainda mais o diálogo, existe a falha de comunicação e genética. O homem é em média 35% mais agressivo do que a mulher. A mulher é naturalmente motivada em  um nível molecular e neurológico a facilitar e evitar o conflito social. 85% dos homens entre os 18 aos 39 anos de idade pensam em sexo a cada duas horas. 55% das mulheres pensam sobre sexo uma vez por dia e até três ou quatro vezes em dias férteis. O homem detecta  os sinais sutis de tristeza no rosto da mulher apenas 40% do tempo, enquanto a mulher detecta esses sinais por 90%  do tempo. É óbvio e certo que homem e mulher se comunicam em níveis diferentes. Em geral, homem fala como se estivesse dando um resumo em 5 minutos de um filme de 2:00 horas de duração. O homem  expressa uma opinião, raciocina a resposta e pronto. A mulher normalmente fala em um nível de intimidade mais profundo. A mulher expressa uma opinião e depois de se expressar, ela então faz um embrulho com sentimentos, faz um lindo laço de emoções e entrega um presente narrativo de todos os fatos. Acompanhados de datas e recordações importantes para ela. Se existe algo em que homem e mulher concordam plenamente é o quão complicado a  mulher é, ou se torna quando ela quer. A mulher fala sobre como ela se sente sobre alguma coisa, enquanto o homem oferece soluções. A mulher quer se relacionar e expressar alguma coisa ou fato durante a conversa. O homem esperar entender o motivo da conversa e resolver algum tipo de problema relacionado com a conversa. O homem faz uma ligação telefônica para um amigo e diz: As 2 horas da tarde a gente se encontra. O outro responde às 3 horas para mim é bem melhor. Uma mulher liga para uma amiga  e diz: depois que eu tomar banho lavar o cabelo, trocar de roupa nós nos encontramos para irmos a loja. A outra responde: Otimo, enquanto isso eu arrumo a casa. Tudo certo, nos encontramos mais tarde. O homem diz  para a esposa: Quero comer um bife acebolado com tomate e arroz amanhã no almoço. A mulher diz para o marido: Estou com vontade de comer uma coisa gostosa. Mas, eu não sei o que é. O homem diz: Estou sentido uma dor muito forte nas minhas costas. A mulher diz: Estou sentido uma dor estranha não sei a onde, e que eu não sei o que é. O homem conhece um amigo novo, falam um pouco sobre esporte, econômia, trabalho e começa a faltar assunto. A mulher conhece uma amiga nova e, bem parece que cresceram juntas, o assunto é extenso. Quem fala mais? Quem abre mais a boca? O homem ou a mulher?

     A psiquiatra norte-americana, Louann Brizendine  afirmou, em seu livro “The Female Brain; O Cérebro Feminino”, que a mulher fala muito mais que o homem. Brizendine é super precisa: 20 mil palavras por dia. Os homens? Apenas 7 mil. Eu discordo em relação a exatidão do total encontrado pela psiquiatra; (20.000 vs 7.000) eu acredito que tem uns homens que alcancem perto dos 15.000 palavras. Mas com certeza a mulher realmente fala mais. No cérebro feminino, há uma área específica que controla a fala, ao passo que o restante do cérebro fica disponível para todas as outras atividades. É por isso que a mulher consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo. A mulher chega a falar de sete a dez mil palavras por dia, além de expressar todos as suas emoções, sensações e sentimentos por meio de gestos e expressões faciais. “A língua dos sábios adorna a sabedoria, mas a boca dos tolos derrama a estultícia”; (Pv 15.2). Tanto o homem quanto a mulher precisam entender e respeitar essa diferença entre ambos. O homem precisa ser sensível à necessidade que a mulher tem de expressar seus sentimentos. Para tanto, ouvir com atenção e interesse o que ela diz é condição indispensável para um bom relacionamento. Por outro lado, a mulher deve estar atenta ao fato de que o homem nem sempre fala tudo o que ela gostaria de ouvir. Por natureza, o homem é mais reservado. Enfim ambos precisam respeitar esse aspecto, mas sem tirar proveito disso. “De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce”; (Tg 3.10-12). 

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.