Como entender a "Trindade" Divindade?

15 de agosto de 2012

Como entender a "Trindade" Divindade?


  “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”; (Gn 1.26a). 

     Na Teologia Sistemática, existe o ensino doutrinário para cada uma das Pessoas da Divindade. O estudo a cerca da Pessoa do Filho, Jesus Cristo é chamado de Cristologia. O estudo da Pessoa do Pai é conhecido como Teontologia. O estudo da Pessoa do Espírito Santo é conhecido como Pneumatologia. Estou citando estas doutrinas para cada uma das Pessoas da Divindade porque não tem como falarmos do Pai, sem falarmos sobre o Filho e conseqüentemente falarmos também sobre o Espírito Santo. A Divindade são as atuações diferentes de três Pessoas distintas e não três manifestações diferentes de uma mesma Pessoa da Divindade. Cada Uma das Pessoas que formam a Divindade tem atuações distintas dentro do próprio objetivo final criado por Eles. Entenda! É um so Deus que se manifesta em três Pessoas distintas, ou seja, diferentes uma da Outra. O Pai tem uma atuação, o Filho tem outra atuação e o Espírito Santo têm a Sua própria atuação. Diferentes em agir, mas com um só objetivo e uma só unidade. O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. Não são três deuses independentes um do outro. E sim, um só Deus que se manifesta na Divindade de Suas três Pessoas. 
  
     Por causa disto eu prefiro utilizar o termo “Divindade” do que o termo “Trindade”. O termo Trindade denota a atuação de três deusesO cristão tem que ser Monoteísta, não pode ser Politeísta! O verdadeiro cristão acredita na ação de um só Deus em Sua vida e não em vários deuses. Um só Deus, verdadeiro que esta no céu atento a toda a Sua criação. Um só Deus que se manifesta em três Pessoas. A 1ª Pessoa do Pai, a 2ª Pessoa do Filho e a 3ª Pessoa do Espírito Santo. Observe que o Nome DEUS esta no singular, ou seja, um só Nome. Mas o verbo fazer “façamos” esta em plural. Um dos Nomes de Deus ELOHIM na sua etimologia vem de ALBEIM que significa: Conselho de Deus; Assembléia de Deus. É também uma forma plural para ELOAH.  O Ancião de Dias, o Verbo e o Espírito Santo. A Divindade em reunião, em assembléia entre Eles, decidiram criar o homem. Criar de acordo com o que? De acordo com a “nossa imagem”, perceba novamente que “nossa” esta no plural, mas “imagem” esta no singular. Ou seja, o homem foi criado conforme a imagem Deles, e também conforme a semelhança Deles; “a nossa semelhança”. “Então, disse o Senhor: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal”; (Gn 3.22a). Preste bastante atenção nesta passagem! “E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro”; (Gn 11.6,7). Existe um diálogo entre as Pessoas da Divindade. Eles estão assistindo a situação e conversando entre Eles. Resolvendo qual decisão Eles irão tomar. Novamente o “Senhor” esta no singular. Eis que o homem é como um de “nós” o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E, “desçamos e confundamos” esta com a conjugação verbal no plural. A mesma ação e atuação conjunta dos três. A essência de Deus esta na Sua unidade. Cada uma das Pessoas da Divindade, são distintas em Suas atuações individuais a ponto de serem testificadas pela Sua própria essência única. O termo “Divindade” é bíblico e aparece três vezes nas Escrituras. Eu prefiro utilizar esse termo do que o termo “Trindade”. “Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens”; (At 17.29). “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”; (Rm 1.20). “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”; (Cl 2.9). 

A DOUTRINA DA TRINDADE (DIVINDADE)

     Tertuliano, sacerdote católico, que viveu entre os séculos II e III. Foi quem descobriu a doutrina que é conhecida como Trindade. A doutrina se desenvolveu gradualmente através de vários séculos e passando por muitas controvérsias. Inicialmente, por duas razões, a exigência do Monoteísmo herdado do Antigo Testamento, e a implicação pela necessidade de interpretar os ensinamentos da Bíblia para o Paganismo Grego-Romano. Não foi antes do século IV que a distinção dos três em Suas individualidades, foi colocada numa única e ortodoxa doutrina; Uma essência e três Pessoas. O Concílio de Nicéia em 325 canonizou a doutrina da Trindade, de que o Filho é da mesma essência do Pai, embora tenha citado muito pouco sobre a Pessoa do Espírito Santo. No decorrer do seguinte meio século, Anastásio defendeu uma Apologética mais refinada de Nicéia e lá pelo final do século, sob a liderança de Basil (Basílio) de Cesárea, Gregório de Nissa e Gregório Nazianzo (padres da Capadócia). A doutrina da Trindade tomou substancialmente a forma que é mantida desde então. É importante constatar que o aparecimento da doutrina da Trindade não foi antes do século IV, e a origem gradual aconteceu em Roma. Tendo em vista que essa doutrina começou a ser defendida, precisamente por “mestres cristãos” de formação pagã. Já no fim do século II, e início do século III, a Trindade era defendida por alguns discípulos de Montano. Tertuliano foi o mais fiel discípulo do Montanismo. Tertuliano foi o primeiro defensor público da doutrina da Trindade. A Teologia Tertuliana assim ensina a Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos são Um por unidade de essência numa Trindade, colocados na ordem de: (1º) Pai, (2º) Filho e (3º) Espírito Santo. Eles são de uma só essência e de um só Poder, já que é só de Deus que esses graus, formas e aspectos são reconhecidos com o Nome de Pai, Filho e Espírito Santo. Tertuliano descreve essas distinções da Divindade como Pessoas. Antes de tudo é preciso definir o que é a doutrina da Trindade, pois até mesmo muitos cristãos se perdem nesse quesito. Por “Trindade” não queremos dizer que acreditamos em três “Deuses”, pois para nós há somente um Deus. Ao invés disso, queremos dizer que na Divindade há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

     É necessário entender a distinção entre o termo “Pessoas” e “natureza”.  As Pessoas de Deus são três, mas uma só é a natureza. Vários exemplos são apresentados para exemplificar este caso; a água, a lâmpada. Porém, o triângulo eqüilátero é o que mais se aproxima desse conceito. O triângulo é indivisível, assim como Deus (simbolizado por toda a figura). Todavia, cada lado é distinto do outro e, contudo, formam a mesma figura, que só existe com os três lados iguais. Assim, entendo a analogia, o Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo e vice e versa; porém, Eles constituem o mesmo Deus. A individualidade Pessoal é mantida, bem como a unidade. Assim, Deus não é somente o Pai, nem somente o Filho, e nen somente o Espírito Santo. A Divindade são o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Na opinião de alguns, o próprio Jesus Cristo teria deixado bem claro a idéia de que Ele era inferior ao Pai. “... vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu”; (Jo 14.28).  Então como Ele é Deus? Eles não entendem que Jesus Cristo estava na terra como homem, sem a Sua glória, e como homem Ele não poderia usar a Sua Divindade. O Pai ficou no Céu com a glória. Eles não entendem que Jesus tudo realizou através do Espírito Santo. A doutrina da Divindade é o ensinamento acolhido, aceito pela maioria das igrejas cristãs que professam a um Deus único preconizado (louvado, adorado, honrado) em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Das Pessoas da Divindade, nenhuma Delas é Deus sozinho, sem as Outras, e cada Uma, juntamente com as Outras, é Deus. O Deus único existe numa pluralidade de três Pessoas identificáveis, distintas; mas não separadas. As três Pessoas não são três Deuses, nem três partes ou três expressões de Deus, mas são três Pessoas tão perfeitamente unidas que constituem o único Deus verdadeiro e eterno. Tanto o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem atributos que somente Deus possui. Nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo, foram feitos ou criados em tempo algum, mas cada Um é igual ao Outro em essência, atributos, poder e glória. O Deus único, existente em três Pessoas, torna possível desde a Eternidade o amor, o exercício dos atributos divinos, a mútua comunhão no conhecimento, ação e atuação da Divindade. “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos”; (Ef 4.4-6).  “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que tens amado a eles como me tens amado a mim”; (Jo 17.21-23). “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um”; (1 Jo 5.7). 

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.