Porque Jesus foi tentado?

15 de outubro de 2015

Porque Jesus foi tentado?


    “E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás. Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, e que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus. E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo”; (Lc 4.1-13). 

  Não se assuste com esse estudo se você for uma pessoa tradicionalmente  religiosa. Eu lhe aconselho a ler atentamente e cuidadosamente este estudo antes de julga-ló como herético ou como um assunto sem nenhuma importância teológica. 

     Jesus foi tentado, Ele poderia pecar? Sim! Jesus poderia pecar (tanto é que por isso Ele foi tentado).  Por que Ele era 100% humano. Apesar de Sua Alma ser divina e o Seu Espírito ser o Espírito Santo. Ele estava limitado ao Seu corpo físico, e neste corpo Ele “SE” quisesse poderia pecar. Ele em tudo foi tentado, Mas Ele não pecou, Jesus venceu a todos os Seus desejos humanos. Para entendermos temos que compreender que as tentações de Jesus não partiam do Seu íntimo “Alma Divina” como ocorre com o homem “alma humana”. Foram provações e provocações externas advindas de Satanás e seus principados. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”; (Hb 4.15). “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”; (2 Co 5.21). Porque Jesus foi tentado? Satanás tentou a Jesus para que Ele viesse a usar a Sua Divindade.  Se naquele momento Ele a usasse, Ele perderia a comunhão com o Pai! Perderia a Sua identidade de Filho de Deus e seria o filho do homem. Satanás sabia que Jesus era (100% divino), e que também Ele estava limitado em um corpo físico (100% terreno). No corpo físico, e por causa do corpo humano. Jesus poderia pecar (Se Ele quizesse). Mas Ele não pecou! Jesus responde a Satanás iniciando e desenvolvendo um nívél de entendimento argumentativo. “E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está”; (Lc 4.4). “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito”; (Lc 4.8). Satanás entrou na mesma linha de raciocínio iniciada por Jesus. “Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti...”; (Lc 4.10). Jesus novamente muda o nível de raciocínio do diálogo entre eles. “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor, teu Deus. E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo”; (Lc 4.12). Quando nós saimos do nível do ESCRITO ESTÁ para o nível do DITO ESTÁ.  Satanás não tem poder de argumentação. Ele não resiste a esse tipo de diálogo. Satanás conhece a escrita da Palavra. Mas não recebe a revelação da Palavra. Somente pode dizer DITO ESTÁ, quem tem o Espírito Santo, quem conhece a Palavra em praticidade de vida e não em escrita! Ou seja, a Palavra tem que estar em ação constante na vida de quem a professa. A Palavra Dita expulsa a Satanás. Ele não permanece onde a Palavra revelada esta em Ação. Ele não suporta o Logos e não fica na presença do Rhema. Vença a tentação os anjos virão e lhe servirão. “Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam”; (Mt 4.11). Quantos dias Jesus foi tentado pelo diabo? “E quarenta dias foi tentado pelo diabo”; (Lc 4.2). Deus não fica devendo nada para as pessoas que Nele crê, Ele pagará o mesmo período de tentação em gozo. Após ser Glorificado Jesus retornou a terra para estar com os Seus pelo mesmo período de 40 dias. “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de Deus”; (At 1.3). 

EM QUE CONSISTIRIA O PECADO DE JESUS?

     Ele não poderia utilizar a Sua Deidade, Sua Divindade (apesar de que na transfiguração do monte Ela foi mostrada, mas não usada). “Dize a esta pedra que se transforme em pão”. Ele teria que vencer (e venceu) como homem, dependendo exclusivamente e somente do Espírito Santo. A Sua encarnação “Teantropia” foi um ato de amor profundo da parte de Deus, porém, o Verbo, o Logos não deixou em nenhum momento de Ser Deus. Assim, a forma de servo não deprecia, em nada, a forma de Deus. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,  que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”; (Fp 2.5-8). Em que sentido Cristo, esvaziou-se na encarnação? Lembre-se que, para ser um salvador perfeito, Cristo deveria Ser plenamente Deus (porque só Deus poderia nos salvar) e plenamente homem (porque o pecador necessitava ser resgatado). Essa é a Apologia que o Cristianismo defende para responder às mais diversas teorias e teses a respeito da deidade e humanidade de Cristo. Ora, tendo isso em mente, voltemos ao texto contido na Epístola aos Filipenses. O contexto ensina-nos quanto à questão da humildade; incita-nos a buscar não só o bem de si mesmo, mas aquele que também é de outros. Tal exemplo é encontrado em Cristo, o qual, sob a forma de Deus existindo continuamente, não de forma forçada conduziu-se para o continuar existindo de modo igual a Deus. Atentemo-nos ao fato de que Cristo, renunciou tal forma sem procurar mantê-la a todo custo, à força. Ele voluntariamente a despiu. O exemplo supremo vem do próprio Senhor. Sua superioridade e soberania são incontestáveis, mas Ele, embora estando permanentemente na forma de Deus (a ênfase não está sobre o Seu poder, Seus atributos, Sua Divindade, mas sobre a Sua forma, Seu exterior, Sua majestade, Sua glória), não agiu em defesa de Sua condição eterna. “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”; (Fp 2.7,8). Dessa maneira, o objeto implícito da ação realizada de esvaziar-se não é a Divindade de Cristo, mas o Seu estado de forma de Deus, para forma de servo, tornando-se em semelhança de homens. O contexto trata do assunto da humilhação, sendo Cristo o modelo maior da Sua Igreja, do Cristianismo. Ele foi em tudo tentado, mas venceu a tentação! Ele não pecou!

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.