Entendeis o que vos tenho feito?

15 de setembro de 2014

Entendeis o que vos tenho feito?



     “Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes (o seu manto), e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido”; (Jo 13.3-5). 

     Jesus estava para realizar a última Ceia do Senhor na terra com os seus discípulos. Ou seja com a Sua Igreja. A Bíblia se refere a essa comunhão como Ceia do Senhor. Mas, atualmente pela maioria das Igrejas cristãs, o termo mais conhecido e utilizado é Santa Ceia. O que Jesus sabia até esse momento? 1º Jesus sabia que todas as coisas (tudo) estava em suas mãos. 2º Jesus sabia que Ele veio do Pai. 3º Jesus sabia que Ele voltaria para o Pai, retornaria a Sua origem. O reconhecimento e a identificação do senhorio de Jesus com os seus servos é algo contundente, marcante, determinante, poderoso e profundo! “Levantou-se da ceia, tirou as vestes (o seu manto), e, tomando uma toalha, cingiu-se”; (Jo 13.4). Jesus tirou o manto em que estava representado a glória de seu  ministério, e vestiu-se com uma toalha. Ele despiu-se do manto de Sua natureza divina e vestiu-se de uma toalha de Sua  humanidade temporária. Afinal nada é mais temporáreo que uma toalha sobre o corpo. Entre o manto contínuo e a toalha nós percebemos e entendemos a distância entre o eterno e o temporário. Entre o Kairós de Deus e o Chronus do homem. A partir do momento que Jesus colocou a toalha. 

     Ele não só mostrou aos discípulos que eles como homens poderiam fazer, realizar coisas grandiosas como Ele. Como que sem a humildade, nunca poderíamos retirar a toalha e recolocarmos o manto da Justiça! A toalha também representa a manifestação única de purificação e de santidade. Jesus é eterno, santo e puro. Ele não precisava retirar o seu manto e usar uma toalha para enxugar os pés dos discípulos. “Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas”; (Jo 13.3a). Denota confiabilidade, no momento em que Jesus colocou a toalha e desceu ao nível dos discípulos lavando-lhe os pés, Ele repassou e depositou confiança naqueles pés que iam dar continuidade a sua Obra. Entendemos melhor esta questão quando lemos uma outra passagem. Perceberemos que esta verdade nós atinge hoje aqui e agora. “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra hão de crer em mim”; (Jo 17.18-20). A toalha cingida por Jesus também era de linho puro, representação de sua vestimenta sacerdotal. O interessante é que no Antigo Testamento, no velho pacto. Os fariseus, escribas e saduceus exigiam que os seus discípulos lavassem as mãos. Mas Jesus lavou os pés dos seus discípulos, e depois os enxugou com a toalha. Os nossos pés se sujam na caminhada natural dessa vida humana.  Os pés são como a língua, pois são sujos pela caminhada da vida. Os pés são o símbolo externo da nossa personalidade, caráter e temperamento humano. Após estarmos com os nossos pés limpos podemos nos calçar da Palavra.“E calçados os pés na preparação do evangelho da paz”; (Ef 6.15). "Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa”; (Jo 13.12a). 

Jesus lavou os pés dos seus discípulos fora do Lugar Santíssimo. Jesus retirou a toalha e recolocou as suas vestes, ou seja recolocou o Seu manto. A túnica de Jesus era o tipo do véu da divisão que havia no Templo. Somente o Pai poderia rasgar o véu do templo de cima para baixo. Jesus era a personificação do próprio Templo. “Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Isso foi assim para que se cumprisse a Escritura, que diz: Dividiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram estas coisas”; (Jo 19.23,24). Os quatros cantos foram simbolizados nas quatros partes de suas vestes levadas pelos representantes legais do Império Romano. Mas a túnica, que era dele, não a dividiram; estava bem costurada; era o véu do seu templo, e o seu corpo naquele momento era o Lugar Santíssimo. O Seu Reino é indivisível, não tem costura. E como o véu, somente o Pai podia rasgá-lo de alto a baixo.  Após o Pai rasgar o véu do templo no momento da morte de Jesus, Ele não usaria mais aquele manto de Glória. Jesus nunca mais vestiria aquele ministério terreno representado através daquele manto. O Seu manto original, o qual estava com o Pai seria novamente recolocado em Seu corpo não mais humano, agora um corpo imortal. “Disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?”; (Jo 13.12b). O ato de lavar os pés uns dos outros demonstra e denota que todos se amam, se ajudam, se cobrem, se disciplinam, se exortam, se consolam e se edificam em amor. O exemplo ensina. Despir-se de seu manto e colocar uma toalha denota humildade. Que todos nós venhamos a entender que a Ceia do Senhor, a mesa da comunhão é um ato divino e não mais uma liturgia de um culto religioso.

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.