Como trarei a mim a Arca de Deus?

15 de abril de 2013

Como trarei a mim a Arca de Deus?


    “E teve Davi conselho com os capitães dos milhares, e dos centos, e com todos os príncipes; e disse Davi a toda a congregação de Israel: Se bem vos parece, e se vem isso do Senhor, nosso Deus, enviemos depressa mensageiros a todos os nossos outros irmãos em todas as terras de Israel, e aos sacerdotes, e aos levitas com eles nas cidades e nos seus arrabaldes (cercanias, subúrbios), para que se ajuntem conosco; E tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; porque não a buscamos nos dias de Saul. Então, disse toda a congregação que assim se fizesse; porque esse negócio pareceu reto aos olhos de todo o povo. Ajuntou, pois, Davi a todo o Israel desde Sior do Egito até chegar a Hamate; para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim. E, então, Davi com todo o Israel subiu a Baalá e dali a Quiriate-Jearim, que está em Judá, para fazer subir dali a arca de Deus, o Senhor que habita entre os querubins, sobre a qual é invocado o seu nome. E levaram a arca de Deus sobre um carro novo, da casa de Abinadabe; e Uzá e Aiô guiavam o carro. Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus, com toda a sua força; em cânticos, com harpas, e com alaúdes, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas. E, chegando à eira de Quidom, estendeu Uzá a sua mão, para segurar a arca, porque os bois tropeçavam. Então, se acendeu a ira do Senhor contra Uzá, e o feriu, por ter estendido a mão à arca; e morreu ali perante Deus. E Davi se encheu de tristeza de que o Senhor houvesse aberto brecha em Uzá; pelo que chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. E, naquele dia, temeu Davi ao Senhor, dizendo: Como trarei a mim a arca de Deus? Pelo que Davi não trouxe a arca a si, à Cidade de Davi; porém a fez retirar à casa de Obede-Edom, o geteu”; (1 Cr 13.1-12). 

     Durante todo o período de tempo do reinado de Saul, a arca ficou esquecida. O rei Saul reinou sem a presença de Deus, sem a presença da arca. “E tornemos a trazer para nós a arca do nosso Deus; porque não a buscamos nos dias de Saul”; (1 Cr 13.3). Davi sabia em seu íntimo que não conseguiria sucesso algum em seu reinado, se com ele não estivesse a presença do Senhor no meio de Israel, tipificado através da presença da arca. O povo de Israel e os outros povos cobravam de Davi a presença de Deus: Onde está o teu Deus? “As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, porquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?”; (Sl 42.3). Davi cometeu um erro gravíssimo durante a condução da arca de Quiriate-Jearim, para Jerusalém. Ele não buscou em Deus, em Sua Palavra as instruções corretas e necessárias para o manuseio da condução da Arca. Somente os levitas da tribo de Coate, os coatitas podiam levá-la e tocá-la. “Este será o ministério dos filhos de Coate na tenda da congregação, nas coisas santíssimas. Quando partir o arraial, Arão e seus filhos virão e tirarão o véu da coberta, e com ele cobrirão a arca do Testemunho; e por-lhe-ão por cima uma coberta de peles de texugos, e sobre ela estenderão um pano, todo azul, e lhe meterão os varais”; (Nm 4.4-6). “Havendo, pois, Arão e seus filhos, ao partir do arraial, acabado de cobrir o santuário, e todos os instrumentos do santuário, então os filhos de Coate virão para  levá-lo; mas no santuário não tocarão para que não morram; este é o cargo dos filhos de Coate na tenda da congregação”; (Nm 4.15). A ordem expressa de Deus a Moisés sobre a condução da arca era que ela não poderia ser transportada, levada em carros e puxada por bois, e sim ser carregada nas varas e nos ombros. “E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Toma os deles, e serão para servir no ministério da tenda da congregação; e os darás aos levitas, a cada qual segundo o seu ministério. Assim, Moisés tomou os carros e os bois e os deu aos levitas. Dois carros e quatro bois deu aos filhos de Gérson, segundo o seu ministério; e quatro carros e oito bois deu aos filhos de Merari, segundo o seu ministério, debaixo da mão de Itamar, filho de Arão, o sacerdote. Mas aos filhos de Coate nada deu, porquanto a seu cargo estava o santuário (especialmente transportar e tocar na arca do Testemunho), o levavam aos ombros”; (Nm 7.4-9). A responsabilidade de quem paga um preço para estar na presença constante de Deus, é de levar a obra nos ombros. É necessário sentir, experimentar o peso da responsabilidade! Os coatitas não tinham carros e nem bois, e levavam as peças mais pesadas do Tabernáculo, e nos ombros. O rei Davi copiou a idéia dos filisteus. Deus aceitou o meio de condução da arca pelos filisteus, e não os consumiu porque eles não conheciam a Ele, não eram coatitas. Deus olhou a intenção dos corações dos filisteus, que era à de glorifica-lo, de oferecerem sacrifícios para Ele. Deus não rejeita adoração. 

     A Bíblia diz que Davi consultou dos chefes dos milhares. Davi preferiu consultar as pessoas que estavam na sua mesma trajetória de transformação, homens que vinham sendo transformados em sua presença, do que consultar ao Senhor. O que ocorreu com Davi durante a condução da arca, revelou todos os erros que um ministro não deve cometer para estabelecer mudanças. As mudanças são benefícios em uma instituição, mas elas requerem cuidados e uma base na Palavra do Senhor. Para estabelecer mudanças não basta querer, é necessário aprender como faze-lás, para não cair nos mesmos erros que um ministro comete. Não permita o mover do homem, e sim do Espírito Santo de Deus! No relato da 1ª Condução da arca, temos algumas lições terríveis dos erros e negligências cometidas pelo rei Davi. O propósito foi bom e correto, mas os meios foram errados. Davi consultou somente os chefes do povo, mas não consultou ao Senhor. Trazer a arca para Jerusalém era algo essencial para Davi. Tudo deveria ter sido de acordo com a Palavra de Deus que não havia sido consultada. Quando se estabelece uma mudança denominacional ou congregacional é necessário consultar a Deus. A arca havia saído de Siló e nunca, mais regressaria para lá. Aquele ato significaria muito para todos. Deus requereu uma reverência com a qual eles não estavam acostumados. Antes da 1ª condução a arca permaneceu durante 20 anos na casa de Abinadabe em Quiriate-Jearim, e o seu filho Eleazar pensou que tinha autoridade para protegê-la. Mesmo que um ministro tenha participação diretamente e literalmente em algo na Casa do Senhor, esse ministro não tem o direito de sentir-se dono, ou ter autoridade sobre a presença de Deus. Achar que a familiaridade com as coisas de Deus permite considerá-las como suas. Ora, afinal a família de Uzá estavam cuidando da arca por 20 anos. Quem mais indicado e zeloso que Uzá para ajudar a Davi na condução da arca? “E puseram a arca de Deus em um carro novo, e a levaram da casa de Abinadabe, que está em Gibeá; e Uzá e Aió, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo”; (2 Sm 6.3). Esse é o risco das pessoas que já estão há muitos anos na Igreja. Elas correm o risco de tratarem as coisas de Deus como se fossem suas. E nisso consiste sua irreverência. Além disso, Uzá como guardador da arca, deveria conhecer bem a lei, e as normas de condução da arca, a fim de cumprir os regulamentos a seu respeito. Ele deveria ter se interposto contra Davi, juntamente com os levitas que auxiliavam a Davi. E lhes mostrado que na lei estava prescrita a forma correta de transportar a arca. Que deveria ser transportada por meio de varas e argolas, pelas mãos e ombros dos levitas da tribo de Coate. As varas  tipificam “ministérios”, “serviços”. As varas não podem ser desprezadas jamais, elas tipificam também a unção e o selo de propriedade e de capacitação divina. A fim de que a arca não fosse tocada por outras pessoas não consagradas para isso. “E levaram a arca de Deus sobre um carro novo, da casa de Abinadabe; e Uzá e Aiô guiavam o carro. Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus, com toda a sua força; em cânticos, com harpas, e com alaúdes, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas. E, chegando à eira de Quidom, estendeu Uzá a sua mão, para segurar a arca, porque os bois tropeçavam. Então, se acendeu a ira do Senhor contra Uzá, e o feriu, por ter estendido a mão à arca; e morreu ali perante Deus”; (1 Cr 13.7-10). Uzá tocou na arca quando os bois tropeçaram. Bois em lugares de coatitas é uma diferença muito grande. Também a arca não poderia ser puxada por bois em um carro novo. Os bois mugem, os levitas cantam, bois tropeçam, os levitas marcham e ministram. 

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.