Porém os seus dias serão 120 anos?

15 de outubro de 2016

Porém os seus dias serão 120 anos?



   “Então, disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”; (Gn 6.3). 

    Muitas pessoas interpretam este texto bíblico como um limite de 120 anos para a idade máxima de vida de uma pessoa. Como resultado, alguns entendem como dizendo que, como regra geral, pessoas não vão viver (ou não viverão) mais de 120 anos. Logicamente o fato de que nos tempos bíblicos na época dos patriarcas, o povo temente a Deus seguia as leis rigorosamente, sendo que as normas e requisitos referentes à saúde e alimentação ajudavam bastante na questão da sobrevivência e idade. A atmosfera do planeta não era poluída como nos dias de hoje. Os produtos químicos e artificiais também não existiam como hoje. Isso trazia um grande benefício para a longevidade do povo e também fortalece esta opinião. 

     No entanto, a interpretação, que faz mais sentido de acordo com o texto, é o registro de Deus declarando que o Dilúvio iria ocorrer em 120 anos desde esse pronunciamento. Os dias da humanidade acabando é uma referência à humanidade sendo destruída no Dilúvio. Ou seja, os 120 anos dados por Deus foi o prazo determinado para o arrependimento ao homem até ao dia do dilúvio. De imediato, julgamos tratar-se de um limite de idade, pré estabelecida para cada um, individualmente, desde que muitos deles atingiram a média de vida em torno de 200 a 500 anos. 

NASCERAM E MORRERAM PÓS DILÚVIO 

     Sem (morreu com 600 anos) ele viveu mais 500 anos depois que gerou Arfaxade “E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos”; (Gn 11.11). Abraão viveu 175 anos: “Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que viveu cento e setenta e cinco anos”; (Gn 25.7). Isaque viveu 180 anos: “E foram os dias de Isaque cento e oitenta anos”; (Gn 35.28). Sem viveu 500 anos: “E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.11). Arfaxade viveu 403 anos: “E viveu Arfaxade, depois que gerou a Salá, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.13). Salá viveu 403 anos: “E viveu Salá, depois que gerou a Éber, quatrocentos e três anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.15). Éber viveu 430 anos: “E viveu Éber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.17). Pelegue viveu 209 anos: “E viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.19). Reú viveu 207 anos: “E viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.21). Serugue viveu 200 anos: E viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos; e gerou filhos e filhas”; (Gn 11.23). Terá viveu 205 anos: “E foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã”; (Gn 11.32). Arão viveu 123 anos: “E era Arão da idade de cento e vinte e três anos de idade, quando morreu no monte Hor”; (Nm 33.39). Joiada viveu 130 anos: “E envelheceu Joiada e morreu farto de dias; era da idade de cento e trinta anos quando morreu”; (2 Cr 24.15). No entanto, se meditarmos sobre a passagem do Livro de Gênesis 6.3, chegaremos à conclusão de que a palavra homem foi tomada como um coletivo generalizado de toda a raça humana. Entendemos, portanto, que os 120 anos equivalem ao período ante diluviano, após o julgamento divino. Noé estava com 480 anos, quando Deus lhe ordenou a construção da arca. Vinte anos após, já com 500 anos de idade, é que lhe nasceu o seu filho primogênito. “E era Noé da idade de quinhentos anos e gerou Noé a Sem, Cam e Jafé”; (Gn 5.32).  

Ou seja, os seus três filhos vieram ao mundo e já encontraram o pai em plena atividade, ocupado na construção da arca. “E era Noé da idade de seiscentos anos, quando o dilúvio das águas veio sobre a terra”; (Gn 7.6). Cem anos após o nascimento de Sem, tendo Noé 600 anos, veio então o dilúvio. Deus concedeu um prazo de 120 anos, para que a humanidade se arrependesse. Mas como não deram crédito à mensagem do pregoeiro da verdade sucumbiram pelas águas do Dilúvio. A prova de que os 120 anos equivalem a este prazo, é que após o juízo de Deus sobre a terra e o homem, é ter Noé vivido, após o Dilúvio, 350 anos. “E viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinquenta anos. E foram todos os dias de Noé novecentos e cinqüenta anos, e morreu”; (Gn 9.28,29). Se 120 anos fosse o prazo máximo de vida concedido por Deus. Uma pessoa morreria ao completar a data exata de 120 anos de idade. A francesa Jeanne Louise Calment nasceu no dia 21 de fevereiro de 1875. E morreu no dia 4 de agosto de 1997. Com 122 anos e 164 dias. Os 120 anos foi o prazo que Deus deu, para que as pessoas que ouvissem a Noé entrassem na arca, e não uma data limite de idade para o homem. Este prazo iniciou-se quando Noé começou a construir a arca, quando ele terminou a arca e veio o dilúvio sobre a terra, este prazo findou-se! “Então, disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”; (Gn 6.3). Logicamente o entendimento é que Deus estava dando a limitação de vida a todos os homens que eram vivos naquela época. Quer dizer, em cento e vinte anos ocorreria o Dilúvio. Os homens seriam todos mortos a não ser aqueles que entrassem na arca com Noé, pois Deus destruiria o mundo.  

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.