Qual o valor da mulher no ministério?

15 de abril de 2014

Qual o valor da mulher no ministério?


     “E aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus; e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas”; (Lc 8.1-3). 

    Jesus veio para libertar as pessoas de todas as cadeias. Ele inovou, quebrou paradigmas do judaísmo, mostrou o caminho da salvação e deu a receita certa de como segui-lo para obtê-la. E não fez acepção de pessoas. Seu ensinamento alcançou a crianças, jovens, adultos, anciãos, homens e mulheres. Com as mulheres, sua postura foi singular, pois Ele colocou-as em nível de importância elevado, dando-lhes dignidade e abrindo, assim, a possibilidade para que elas o seguissem e atuassem em seu ministério de uma forma muito intensa. Comportamento esse que apesar da rigidez das leis judaicas da época, foi seguido por seus apóstolos e discípulos, e é vigente até os dias de hoje através da Igreja. Mulheres simples como Madalena, ou importantes como Jona, mulher de Cuza, procurador de Herodes, serviam e servem ao Reino de Deus de uma forma ampla e diversificada. Elas cuidavam de Jesus e dos discípulos. Elas eram fundamentais ao ministério de Jesus inclusive com as sua fazendas (bens, riquezas, valores, posses). Nada faltava para Jesus e os discípulos em termos de serviços domésticos e tarefas normais do cotidiano, tais como alimentação, roupas (lavar, passar, costurar). Mulheres as quais foram alcançadas pela Palavra do Evangelho salvador e curador de Jesus. 

    Elas ouviram a Palavra e de livre e espontânea vontade, o serviam com ofertas. Jesus recebia ofertas e ajuda financeira de muitas pessoas. Através dessas ofertas, eles sobreviviam, comiam e pagavam as contas. Tanto é que foi necessário de se ter um “tesoureiro”. Uma pessoa, alguém de confiança que administrasse, organizasse e contabilizasse todas as saídas e entradas de dinheiro. Inclusive este dinheiro também era usado para abençoar outras vidas. “Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa ou que desse alguma coisa aos pobres”; (Jo 13.29). A maneira pela a qual o Senhor e os apóstolos lidavam com as mulheres foi sem precedentes no judaísmo. Como era a posição e o valor da mulher na sociedade judaica? As sinagogas do primeiro século mantêm registros somente de homens. Homens e meninos podiam entrar nas sinagogas para adorar, mas para as mulheres e meninas havia uma divisória separada onde era permitido que elas se sentassem. A tradição afirmava que as mulheres não tinham direito à salvação por seus próprios méritos. A única esperança de salvação era se unir a um devoto homem judeu. As prostitutas eram excluídas porque não tinham esse vínculo, e viúvas precisavam ter sido casadas com um judeu piedoso para ter esse privilégio. Um homem era proibido de falar com uma mulher em lugares públicos. Um rabi deveria ignorar uma mulher em público, mesmo se ela pacientemente persistisse em busca de algum urgente conselho espiritual. Em um enterro, as mulheres caminhavam à frente do caixão. Elas eram consideradas responsáveis pelo pecado e, por isso, encabeçavam a procissão, levando a culpa pelo que havia acontecido. Os homens, não se sentindo responsáveis, caminhavam atrás do corpo. As mulheres eram consideradas cerimonial e socialmente impuras durante seu período menstrual. Durante sua menstruação, elas eram isoladas. Até mesmo aos membros da família não era permitido chegar perto para não serem contaminados. Aos olhos da sociedade, o valor de uma mulher estava vinculado a sua habilidade de dar à luz. A esterilidade era um estigma social terrível. A responsabilidade da mulher era dar à luz bebês do sexo masculino que perpetuariam, desta maneira, o nome do pai. Era privilégio do homem iniciar um processo de divórcio, o qual ele podia exercer baseado em considerações que hoje parecem frívolas e dignas de riso.  A palavra de uma mulher, num tribunal, precisava ser confirmada pelo menos por três homens, de outro modo, não tinha valor. Não era permitido à mulher entrar em uma sinagoga para estudar; era considerado perda de tempo. Não era permitido que as mulheres se aproximassem do Lugar Sagrado no templo. Na época de Jesus, havia um pátio no templo para as mulheres, localizado fora dos recintos reservados para sacerdotes e outros homens, e uns 15 degraus abaixo, que indicava a posição subordinada da mulher. 

O que Jesus fez? 

     Jesus deixou que elas o tocassem e o seguissem, falou com elas e a respeito delas sem restrições, mas com grande afeição. Defendeu-as quando eram mal compreendidas e atendeu a seus apelos por várias vezes, operando milagres, ensinando e libertando-as, para que o seguissem e, também, realizassem a sua obra. Elas atuavam nas áreas de ensino, na evangelização e intercessão, com amor e compreensão. Este estudo seria uma gota de água diante da imensidão de um oceano, se eu resolvesse ter a ousadia de citar nomes de mulheres as quais Jesus usou e usa de uma forma especial e maravilhosa através do Espírito Santo em prol do Seu Reino. 

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.