Qual foi o acordo entre Eles?

15 de fevereiro de 2012

Qual foi o acordo entre Eles?


     “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. O Senhor enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos. O teu povo será mui voluntário no dia do teu poder; nos ornamentos de santidade, desde a madre da alva, tu tens o orvalho da tua mocidade. Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque”; (Sl 110.1-4). 

    A Divindade em assembléia entre Eles realizaram um acordo, fizeram um trato e tomaram uma decisão. A 1ª Pessoa da Divindade decidiu ficar como o Pai no céu. A 2ª Pessoa da Divindade decidiu que Ele desceria a terra e viveria aqui como o Filho.  E a 3ª Pessoa da Divindade, o Espírito Santo decidiu ser o vínculo entre Eles, e a fonte que geraria o corpo físico que seria utilizado pelo Filho, a 2ª Pessoa da Divindade. Preste atenção na conjugação do pronome possessivo “teu”. Eles estão conversando frente a frente, cara a cara. O próprio Jesus Cristo questionou aos fariseus em relação a esta passagem, pois eles entenderam que Davi se referia, falava a respeito de si mesmo. 

    “E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo:Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem, desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo”; (Mt 22.41-46). Jesus tentou revelar para os fariseus que era Ele mesmo e não Davi quem conversava com o Senhor. Mas eles não tinham este entendimento. Pedro também já havia recebido esta revelação. “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés”; (At 2.34,35). Podemos distinguir o Pai (1ª Pessoa da Divindade) e o Filho (2ª Pessoa da Divindade) através de Suas vozes. A voz do Pai é como relâmpagos, trovoadas, e raios! A voz é cheia do Espírito Santo como brasas de fogo. “E o Senhor trovejou nos céus; o Altíssimo levantou a sua voz; e havia saraiva e brasas de fogo”; (Sl 18.3). A voz do Filho é como um rio vivo com muitas águas, águas que lavam, águas que curam, águas que dão vida por onde passar. “E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas”; (Ap 1.15).  Observe atentamente que ambos tanto ao Pai como ao Filho, expressam o Espírito Santo quando abrem as Suas bocas e soltam as Suas vozes. Muitas águas e brasas de fogo. O Espírito Santo esta representado com estes dois elementos simbólicos! Pois o segredo da Divindade é a Sua Unidade através do próprio Espírito! UM SÓ SENHOR – Há um só Senhorio de unidade. “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos”; (Ef 4.4-6). E há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”; (1 Co 12.5,6). UM SÓ CORPO – Um só lugar para a unidade, o Corpo místico (Igreja) e físico (o corpo humano glorificado que Jesus tem hoje)“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular”; (1 Co 12.27). UMA SÓ ESSÊNCIA – O que Deus é! A Sua natureza é o próprio Espírito Santo! A unidade da Divindade! Todas as pessoas que aceitarem ao Filho estão dentro deste acordo e terão direito há uma vida eterna em Cristo Jesus. Poderão habitar na Eternidade, no tempo "Kairós" de Deus. E as pessoas que não crerem e aceitarem a Jesus como salvador? Haverá, existirá eternidade para elas? Sim, porém no inferno (Gehenna)! Para os que morrem sem Ele. “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e desprezo eterno”; (Dn 12.2). Para entendermos esse assunto, temos que 1º compreendermos o significado da morte. O que ocorre com a tricotomia do homem no momento de sua morte? Quando uma pessoa morre, ocorre uma separação tripartida de todo o seu ser completo. A alma é eterna, o espírito volta para Deus, e o corpo volta para a terra. A alma, princípio vital, não sucumbe com o corpo na sepultura. Todavia os justos que morrem antes da parousia de Cristo, de Sua 2ª vinda, ressuscitarão e encontrarão com Ele nos ares. Voltarão à condição original de alma vivente, porém, com um corpo glorificado. O castigo dos ímpios será o de não viverem para sempre com Cristo. A morte para esses será realmente a separação eterna de Deus. Começando pela formação do homem no jardim do Éden, onde pela 1ª vez, a palavra, o vocábulo alma é registrado. “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”; (Gn 2.7). 

    O significado dos vocábulos, das palavras “alma” e “espírito” na Etimologia hebraica e grega,  é necessário para a nossa compreensão. Alma, “nephesh” (hb). Significa a vida, a pessoa, o seu coração. Refere-se claramente à essência da vida, ao ato de respirar, tomar fôlego. O vocábulo alma, “psyche” (gr). Significa a vida natural do corpo, a parte imaterial, invisível do homem, o homem interior. “E não temais os que matam o corpo (uma pessoa pode matar a outra pessoa) e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo (somente Deus tem esse poder)”; (Mt 10.28). O espírito; “ruah”; “ruach” (hb). Significa: Respiração, ar, vento e brisa. O espírito; “pneuma” (gr). Significa: Vento, respiração, a parte imaterial e invisível do homem. A alma foi dada ao homem no momento de sua formação. O espírito automaticamente retorna para Deus. “E o pó volte à terra, como o era, (da terra retorna para a terra) e o espírito volte a Deus que o deu (do Céu retorna para o Céu)”; (Ec 12.7).  O  espírito não desce para a sepultura, ele volta para Deus. O espírito é parte inerente do homem (esta ligado a pessoa), mas não ó, é do corpo sem vida. Na morte há uma separação, o espírito volta a Deus. Mas, acontece que a pessoa não é o espírito! A pessoa é a alma. Se uma pessoa fosse o seu espírito, ela automaticamente voltaria para Deus, no ato de sua morte. Por que Deus tirará os ímpios de suas sepulturas? Afinal eles já não estão mortos? “Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”; (Ap 20.5,6). Na ressurreição do corpo ocorre uma recomposição “alma + corpo”, para um estado de presença eterna com Deus para os salvos. E, ocorrerá uma recomposição de “alma + corpo”, para um estado de sofrimento eterno com Satanás, o anticristo, o falso profeta e os demônios no Lago de Fogo e Enxofre “Gehenna” que é a 2ª morte. Tal castigo só pode ocorrer em corpos que receberão de volta os seus espíritos e terão novamente vida. A ressurreição dos ímpios dar-se-á para serem julgados e castigados, segundo as más obras de cada um. Os ímpios serão ressuscitados na carne e receberam a condenação eterna no espírito. Eles terão de volta o espírito, a alma e o corpo, para receberem o juízo! “Porque, por isto, foi pregado o evangelho também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens, na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito”; (1 Pe 4.6). Como entender: “Vivessem segundo Deus em espírito?”. A sentença será na carne (união entre a alma e o corpo). Mas, é o espírito que da vida, que mantém a alma e o corpo vivo. Então os mortos  receberão o espírito de vida, para voltarem a viver! Receberão a sentença de juízo de envio ao “Gehenna”, que é o Lago de Fogo e Enxofre, na 2ª morte, que é, e será a morte eterna.

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.