O pecado pode ser herdado ou transmitido?

15 de maio de 2015

O pecado pode ser herdado ou transmitido?


     “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos, pelos pais; cada qual morrerá pelo seu pecado”; (Dt 24.16). 

     “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”; (Ez 18.20). Não! O pecado não é herdado. Se alguém disser que o pecado é herdado, então a salvação tem que ser herdada também. Bem se não é herdado dos pais? Será que o culpado pelo pecado seria Deus? Porque tanto Satanás, os anjos caídos e o homem pecaram! E todos foram criados por Deus. Todos saíram de dentro da Existência que é Deus. Então o pecado seria herdado de Deus? Mas tem um grande detalhe! Deus não pode pecar. “Pelo que vós, homens de entendimento, escutai-me: longe de Deus a impiedade, e do Todo-Poderoso, a perversidade! Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz que  cada um ache segundo o seu caminho. Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo”; (Jó 34.10-12). É inevitável que os filhos sofram as consequências das más ações dos seus pais. Mas não serão castigados pela culpa deles, a não ser que participem diretamente de seus próprios pecados. Nós nascemos com as consequências da presença do pecado no mundo. Nascemos com tendências hereditárias de Adão, inerentes à desobediência “a natureza humana que pecou”. Por causa do pecado, o homem  herdou a natureza moral corrupta de Adão, e esta natureza tem a tendência e a inclinação para pecar, ou seja, para cometer pecado. Um pai pecador aidético irá transmitir aos seus filhos as consequências da “doença”, mas não transmite o seu próprio pecado. Uma mãe aidética passa a enfermidade para o filho no seu ventre. O que se transmite, hereditariamente (há exceções), são os efeitos do ato do pecado e não o pecado.

“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?  Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus”; (Jo 9.1-3). 

     O pecado é tanto um ato como um estado, é uma rebelião contra a lei de Deus. É um ato da própria vontade do homem, como uma decisão de se separar de Deus, resultando-se em um estado pecaminoso. O pecador traz o mal sobre si através de suas más ações, e incorre, se compromete em culpado aos olhos de Deus. A Bíblia Sagrada descreve dois efeitos do pecado sobre o culpado, ou seja sobre o pecador! (1) É seguido por consequência desastrosa para a sua alma. (2) Trará da parte de Deus um decreto de condenação. Jesus Cristo veio ao mundo, tornar possível ao homem à restauração da semelhança de Deus perdida. O efeito da queda arraigou-se tão profundamente na natureza humana que Adão transmitiu a seus descendentes a tendência e a inclinação para pecar. “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”; (Sl 51.5). Esse impedimento espiritual e moral, sob o qual o homem nasce, é conhecido como o pecado original. Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade de plena responsabilidade do homem são conhecidos como “pecado atual”. O pecado veio ao mundo através da desobediência do homem, e pelo pecado, veio consequentemente o estado da morte. O pecado se manifesta de dois modos: pecado original, e pecado atual. O pecado original é a  corrupção da natureza de todos os filhos de Adão pela qual o homem “estava”  muito longe da retidão original. Ou seja do estado de pureza do primeiro Adão, quando foi criado (antes de pecar). O homem estava afastado de Deus, não tinha vida espiritual e era inclinado para o mal. O pecado original difere (é diferente) do pecado atual, em que constitui uma propensão (inclinação; tendência) herdada para o pecado atual. O pecado atual constitui uma violação voluntária da vontade de Deus, feita por uma pessoa moralmente responsável. pecado é consciente, ele não deve ser confundido com limitações involuntárias, enfermidades, faltas, erros e falhas. Ou outros desvios de um padrão de perfeita conduta, que são os efeitos residuais da queda do homem. Jesus, o segundo Adão, veio ao mundo resgatar-nos de todos os efeitos dessa queda.

    “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram  à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor”; (Rm 5.12-21). A natureza corrupta herdada de Adão tem a tendência e a inclinação para o pecado e a maldade. A natureza inicial só pode ser recuperada pelo homem, quando ele aceita a Jesus Cristo como o seu Senhor e recebe a presença do Espírito Santo. O pecado da idolatria por exemplo: Quando uma pessoa cede às tendências hereditárias dos atos pecaminosos de seus pais, ou seja, pratica o mesmo pecado que eles. Esta pessoa esta dando legalidade para os espíritos malignos que agem na idolatria de também atuarem na sua vida. “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”; (Êx 20.3-5). 

O homem veio a pecar, mas não foi formado, criado pecador!

     “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência; porquanto, sem a lei, estava morto o pecado. E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou. Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom. Logo, tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum! Mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem, a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno. Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado”; (Rm 7.7-14). Geneticamente e genericamente, o homem tem duas dentições, os dentes de leite e os dentes permanentes. A prova biológica que o homem peca, é quando começam a cair os dentes de leite e começa a nascer à dentição permanente. O dente de leite (tipologia da inocência) e um dente livre, sem raiz, não esta ligado diretamente à Eternidade e retrata o período da inocência. Uma das provas que o nosso Senhor Jesus Cristo nunca pecou, é que ele morreu com todos os seus dentes de leite. Ele morreu com a Sua inocência! (qualidade de inocente; inculpabilidade; puro; santo). Talvez você queira perguntar: Existe alguma base bíblica que comprova que Jesus Cristo morreu com todos os seus dentes de leite? Claro que sim!

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.