O Senhor moveu-se de íntima compaixão?

15 de agosto de 2015

O Senhor moveu-se de íntima compaixão?


     “E aconteceu, pouco depois, ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão. E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam) e disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se, e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta fama por toda a Judéia e por toda a terra circunvizinha”; (Lc 7.11-17). 

     O evangelista Lucas tem duas obras bíblicas inspiradas a ele através do Espírito Santo. Esse Evangelho, e também o livro dos Atos dos apóstolos. Lucas era gentio, (o estrangeiro para os judeus). Nasceu na Síria, na cidade de Antioquia. Naquela época existia também outra Antioquia na Pisídia. Lucas foi aluno e amigo do apóstolo Paulo. Era médico de profissão, Paulo lhe chamava de o médico amado. O Dr. Lucas foi um privilegiado nas duas vertentes da raiz cristã, amigo de Paulo, o qual foi levantado para pregar aos judeus e aos gentios. O Evangelho de Lucas foi escrito aos gregos, o mundo helênico da época. O berço da Filosofia e do Helenismo. Lucas apresenta a humanidade de Jesus. O filho do homem, a semente da mulher. 

     A faceta de homem de um dos rostos dos querubins.  Os outros Evangelhos (Mateus, Marcos e de João) não relatam esse ocorrido. Somente Lucas, relata a essa ressurreição. Esse milagre chamou atenção da ótica médica de Lucas, ele denota detalhes em analisar a razão é a circunstância. “E aconteceu, pouco depois”; (Lc 7.11a). Em outras versões das Escrituras Sagradas está escrito “em seguida”, “no dia seguinte”. Uma versão mais antiga relata; “um dia após o outro”. Na porta da Cidade de Naim, existia duas portas, a de fora que era a do cemitério, e a de dentro, mais a 3ª porta a qual erá a casa da viúva. Nos dias de Jesus, o velório durava três dias, o corpo era velado por três dias (por causa  de uma doutrina espírita, não bíblica da época). O ser humano não esta preparado para lidar com a morte!  Ninguém quer morrer! O cortejo fúnebre já estava a caminho do cemitério. Tratava-se do sepultamento de um jovem, filho único, de uma viúva, chamada apenas pela Bíblia Sagrada de “viúva de Naim”. Naim era a cidade de nascimento da viúva. Esta cidade Israelense, ainda existe nos dias de hoje, com o mesmo nome. É uma pequena vila, muito pobre, habitada por árabes muçulmanos. “Ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão”; (Lc 7.11b). Jesus anda com seus discípulos e com uma grande multidão que o acompanha. “E, quando chegou perto da porta da cidade”; (Lc 7.12a). O encontro acontece na porta da cidade, a morte encontra a vida.  As duas multidões se encontram. Uma saindo e outra entrando. Ocorre uma decisão, há uma escolha. Entre ser discípulo e entrar com Jesus na cidade? Ou estar com a multidão que esta saindo da cidade? A decisão tem que ser tomada antes de se passar pela porta! 

     “Eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe”; (Lc 7.12b). Jesus, ao chegar a Naim, encontrou a triste cena: uma mulher chorando a perda do filho.  “Que era viúva”; (Lc 7.12c). Ela já estava pela 2ª vez passando pelo mesmo caminho. Mais uma vez ela teria que passar pela mesma dor, a dor de enterrar, pois ela já havia enterrado o seu marido. O cemitério ficava fora da cidade de Naim.  Satanás queria que aquela mulher saísse de Naim. Naim significa “beleza” (hb). Naim representava para aquela viúva a sua casa, a sua família, os seus amigos, a sua vida. “E com ela ia uma grande multidão da cidade”; (Lc 7.12d). Uma multidão a acompanhava, ela era uma pessoa de relacionamentos. Imagino a comoção. As pessoas não iam em silêncio, mas lamentando. Palavras de dor e muitas lágrimas. “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela”; (Lc 7.13a). Compaixão do verbo grego compadecer; “Splagchnizomai”. Jesus penetrou no âmago do ser daquela mulher, captando toda a sua tristeza, sendo movido por ela. Jesus olha para a viúva, e o seu olhar traduz a seguinte mensagem: “Você não vai precisar sair de Naim”. Você não irá ao cemitério, os coveiros não vão enterrar o seu filho. “E disse-lhe: Não chores”; (Lc 7.13b). Ele disse: Não chores. Por quê? Jesus disse que ela parasse de chorar porque Ele ia “tocar”. Acalma o seu coração, o diabo não vai enterrar os seus projetos, metas, objetivos e própositos. Jesus poderia nem ter percebido o sofrimento da mulher. Afinal, já tinha uma multidão de pessoas o seguindo. Já dependendo de Sua atenção. E além disso aquela mulher não estava entre eles, os que o seguiam! Mas não! Ele voltou os olhos para quem vinha em sentido contrário. Pessoas que estavam em outras multidões.

     “E, chegando-se, tocou o esquife”; (Lc 7.14a). Porque Jesus tocou no esquife e não no menino? Jesus tocou no esquife, ele alcançou a vida do rapaz. Jesus toca na casa, Ele alcança a família. Jesus toca na morte. Ele não tem medo de enfrentar a morte. Apenas um toque basta. Jesus esta tocando nesta situação que você tanto precisa, necessita neste momento! “(E os que o levavam pararam)”; (Lc 7.14b). O jovem era levado. Pessoas seguravam seu esquife. Sei que muitas mães, têm chorado por seus filhos. Mães, que sofrem como a viúva de Naim. Seus filhos estão “sendo levados” pelos enganos do mundo. Estão mortos em pecado. Os que pararam, perceberam que algo se mexeu dentro do caixão, por isso eles pararam. Os que carregavam o morto foram os primeiros a perceberem o sinal do retorno da vida. Jesus simplesmente tocou no esquife. Ele somente precisa de dar um toque. Após o toque Ele determina a benção completa; “E disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te’; (Lc 7.14c). Não há nada neste mundo que resista o poder da Palavra que sai da boca do Logos Vivo,  do Verbo Encarnado. “E o defunto assentou-se, e começou a falar”; (Lc 7.15a). É imediato, é instantâneo! É notório! “E entregou-o à sua mãe”; (Lc 7.15b). E o entregou à sua mãe. Jesus arranca-o das mãos da morte e entrega-o à sua mãe. Mãe é quem gera, a ela é dado o dom de dar a vida. Jesus devolve a vida ao menino e devolve o menino a fonte que o gerou. Os teus sonhos, metas, objetivos e própositos vão ser devolvidos para você esta noite! Jesus esta tirando das mãos do Diabo tudo que não pertence a ele e devolvendo para a fonte original, você! Tudo o que você possui foi Deus que te deu o inimigo não pode tocar!

Graça & Paz.

Rev. Dr. Carlos Andrade, Th.D.